CARTAS DA CURADORA
Por Romanna Remor
Há alguns dias, uma cliente me escreveu perguntando se poderia preparar o Rooibos Espresso Cut no filtro de papel, tipo Melitta, como faz com o café de coador.
A pergunta me fez pensar em algo mais amplo do que a resposta em si. O que muda quando mudamos a forma de preparar uma planta?
Foi justamente essa reflexão que me lembrou por que a Curadoria 1401 existe. Nós não acreditamos que exista apenas uma forma “certa” de experimentar um botânico. Assim como acontece com o vinho, o café ou o chá, cada método de preparo revela características diferentes da mesma planta. É como olhar para uma mesma paisagem em horários diferentes. Ela continua sendo a mesma. Mas nunca é exatamente igual.
No caso específico do coador de papel, o Rooibos Espresso Cut tem um corte mais fino, pensado para métodos que envolvem pressão — como a máquina de espresso ou a cafeteira italiana. No filtro Melitta, essa granulometria tende a passar rápido demais pela água, e o resultado fica aquém do que a planta é capaz de entregar. Por isso, para essa cliente — e para você, que está lendo — a recomendação é buscar um método que valorize melhor esse corte.
Foi pensando nessas diferenças que nasceu o Rooibos Espresso Cut. Não para substituir a infusão tradicional. Nem para dizer que ela é melhor. Tampouco para ser um substituto do café. Mas para revelar uma experiência que antes não existia. Uma terceira experiência.
Espresso
Na máquina de espresso, o Rooibos mostra uma personalidade completamente diferente. A extração sob pressão entrega corpo, textura, intensidade e uma crema naturalmente dourada. É uma bebida encorpada, quase cremosa, com notas carameladas ainda mais presentes. Foi para esse método que o Espresso Cut foi cuidadosamente desenvolvido.
Cafeteira Italiana
Na cafeteira italiana, o Rooibos encontra a pressão do vapor — e responde a ela com generosidade. O resultado é uma bebida concentrada e robusta, com notas de caramelo e toque tostado, ligeiramente mais intensas do que em outros métodos. Não há crema, como não há na maioria dos preparos por moka, mas há densidade e um calor que lembra o ritual de quem já esperou o borbulhar característico dessa cafeteira sobre o fogo.
Uma sugestão: use uma quantidade um pouco maior de Rooibos Espresso Cut do que utilizaria de café, preenchendo bem o funil. Assim você chega mais perto da concentração que a Red Espresso® imaginou quando desenvolveu esse corte. E se quiser, finalize com leite quente — o resultado lembra um cortado, só que sem cafeína.
Prensa Francesa
Na prensa francesa, a experiência muda novamente. A bebida continua intensa, mas ganha um perfil mais delicado. Mais textura. Mais equilíbrio. É um preparo que preserva bastante da personalidade do Espresso Cut, sem a pressão característica do espresso e sem a crema.
Latte
Talvez seja a forma que mais me encanta. Leite quente ou frio, animal ou vegetal. O Rooibos traz notas naturalmente adocicadas, que lembram caramelo, baunilha e especiarias suaves. Uma bebida acolhedora, sem cafeína, marcante e delicada ao mesmo tempo. E uma cremosidade difícil de explicar. Só experimentando.
O que realmente estamos preparando?
Percebi que a pergunta da nossa cliente falava sobre um método. Mas a resposta fala sobre outra coisa: ela fala sobre repertório. Na Curadoria 1401, não queremos ensinar uma única maneira de preparar uma bebida. Queremos ampliar as possibilidades de experimentar plantas extraordinárias — e, junto com isso, ajudar você a encontrar o método que revela o melhor de cada uma delas. Porque, quando mudamos o método, mudamos também a experiência. E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas do universo dos chás e dos botânicos.
A planta continua sendo a mesma. Mas ela sempre encontra uma nova forma de nos surpreender.
Romanna Remor
Curadora da 1401 Chá
