Uma inovação sul-africana aplica a técnica do espresso ao rooibos, propondo uma nova forma de entender o ritual da nossa xícara no dia a dia.
Há quase vinte anos, uma pergunta simples mudou a forma como o rooibos é entendido no mundo: seria possível extrair um chá da mesma forma que se extrai um espresso?
A resposta chegou da África do Sul, terra natal do próprio rooibos, e hoje chega também ao Brasil, através da parceria entre a 1401 e a Red Espresso®, marca pioneira e premiada internacionalmente desde 2005 no que se convencionou chamar de "espresso de chá".
Como sommelière de chá, acompanho de perto inovações que reposicionam plantas tradicionais sob novo prisma. Poucas, no entanto, me pareceram tão bem fundamentadas, técnica, histórica e sensorialmente, quanto esta.
A origem: uma inquietação pessoal
A história começa em 2005, com Carl Pretorius, um dos fundadores da marca. Consumidor de café, entre cinco e seis doses de espresso por dia (por relato do próprio Pretorius), ele começava a sentir os efeitos da cafeína em excesso. Numa manhã em que já se sentia agitado demais para mais um espresso, rasgou dois saquinhos de chá rooibos e colocou as folhas direto na máquina. O resultado não foi bom, mas foi o suficiente para o instigar a continuar.
Ao longo de várias semanas, testou diferentes tipos de moagem, refinando o processo até chegar a uma consistência que considerou perfeita: um líquido intenso, de sabor suave e notas amendoadas, coberto por uma crema, a mesma experiência sensorial de um espresso, sem uma gota de cafeína. Seis meses depois de colocar o primeiro lote de rooibos na máquina, Pretorius já havia solicitado uma patente para o corte da folha e o método de preparo; uma busca jurídica global, contratada para confirmar a originalidade da ideia, não encontrou nada semelhante registrado antes. Nascia ali o que se tornaria o primeiro espresso de chá do mundo.
O que torna essa extração possível
Do ponto de vista técnico, a inovação central não está em nenhum ingrediente adicional, mas no corte da folha. O rooibos tradicional, usado in infusões a granel ou de saquinho, é cortado para liberar sabor e color ao longo de minutos, em contato com água quente parada. Já o corte utilizado no Rooibos Esppresso foi desenvolvido especificam
ente para responder à pressão e ao tempo curto de uma extração tipo espresso, o que o torna incompatível de ser reproduzido por um simples rooibos moído "mais fino", sem o mesmo desenvolvimento técnico por trás.
O resultado prático dessa mudança de corte é uma bebida mais concentrada, mais encorpada e com maior extração de compostos solúveis do que a mesma planta preparada por infusão comum — o que nos leva ao próximo ponto, de interesse direto para quem acompanha tendências de bem-estar.
Antioxidantes: o que já se sabe sobre o rooibos
Um dos diferenciais mais citados da linha é o seu perfil antioxidante. O rooibos é reconhecido cientificamente por conter aspalatina, um antioxidante exclusivo dessa planta, além de flavonoides que atuam de forma semelhante a enzimas antioxidantes produzidas pelo próprio corpo — características que sustentam sua reputação como uma das infusões mais ricas em compostos antioxidantes disponíveis.
Segundo a Red Espresso®, fabricante da linha, o processo patenteado de moagem e extração sob pressão utilizado no Rooibos Espresso concentra ainda mais essas propriedades benéficas a cada extração.
Cafeína zero — por natureza, não por processo
Vale um parêntese técnico importante: o rooibos nunca teve cafeína. Diferente do chá verde ou preto descafeinado que passam por um processo industrial de remoção, o rooibos é naturalmente livre de cafeína, com ou sem esse corte especial. Isso o torna, historicamente, uma alternativa já bem estabelecida para gestantes, crianças e pessoas com sensibilidade à cafeína ainda que, como sempre reforço, qualquer inclusão de um novo alimento na rotina, especialmente durante a gestação, mereça conversa prévia com um médico ou nutricionista.
Da montanha à xícara: uma questão de origem
Rooibos (Aspalathus linearis) é uma espécie que cresce em uma única região do planeta: um raio de pouco mais de cem quilômetros nas montanhas de Cederberg, no Cabo Ocidental sul-africano. A Red Espresso® prioriza folhas colhidas manualmente, cultivadas em altitude elevada e sem irrigação. Fatores que, segundo produtores da região, resultam em uma planta mais doce e de sabor mais encorpado, além de folhas de coloração mais avermelhada, associada a maior qualidade (rooibos cultivado em altitudes mais baixas tende a ser mais amarelado e de sabor mais "saponáceo").
A empresa também declara acreditação internacional em segurança alimentar (FSSC22000) e afirma que sua fazenda principal recebeu a mais alta classificação de biodiversidade concedida a propriedades agrícolas, resultado de práticas orgânicas, sem herbicidas, pesticidas ou irrigação artificial. O produto ainda carrega certificação Halal e Kosher (categoria Parev, ou seja, sem carne ou laticínios), o que amplia sua compatibilidade com diferentes restrições alimentares e religiosas.
Um gesto conhecido, com um conteúdo novo
Um dos aspectos mais relevantes desse lançamento, do ponto de vista prático, é que nenhum equipamento novo é necessário. O Rooibos Espresso foi desenvolvido para ser extraído exatamente como se extrai café: em máquina de espresso tradicional, cafeteira italiana (moka), prensa francesa, AeroPress, ou em cápsulas compatíveis com máquinas Nespresso. A 1401 também trará o formato em soft pod, que é um pod individual pensado para uso profissional em cafeterias, que permite extrair uma dose concentrada de 60ml, base para a montagem de bebidas maiores, como um cappuccino ou um latte, completadas com leite, água quente ou suco, a depender da preparação desejada.
Essa compatibilidade com os equipamentos já existentes em casas e estabelecimentos comerciais é, a meu ver, um dos fatores que explicam por que a marca conseguiu se consolidar internacionalmente: ela não pede uma mudança de hábito, apenas oferece um novo conteúdo para um gesto que já faz parte do nosso dia a dia.
Entre o café e o chá: uma nova categoria
Se por um lado o consumidor final ganha uma nova experiência sensorial com crema, corpo, ritual, por outro o mercado de food service ganha uma alternativa real ao café, com margem e apresentação equivalentes, mas sem cafeína. É essa combinação de técnica comprovada, origem rastreável, certificações internacionais e uma experiência sensorial genuinamente nova que torna o Rooibos Espresso, na minha leitura como especialista em chá, uma das inovações mais interessantes que vi chegarem ao universo do rooibos nos últimos anos.
Até o próximo chá ;)
Raquel Magalhães
Head de Relações Estratégicas, Curadoria Técnica e Desenvolvimento de Negócios
