DOSE CERTA
Por Raquel Magalhães
Uma data recente para uma filosofia milenar e uma reflexão sobre as escolhas que fazem parte da nossa vida todos os dias
Se você pesquisar pelo Dia do Ayurveda, vai encontrar uma curiosidade: embora hoje a data seja celebrada em 23 de setembro, isso é relativamente recente.
A escolha de uma data fixa trouxe o Ayurveda para um novo momento de visibilidade internacional. E existe uma razão simbólica para essa escolha: 23 de setembro marca o equinócio, um momento de equilíbrio entre luz e escuridão. Equinócio de primavera para o hemisfério sul e equinócio de outono para o hemisfério norte.
Para uma tradição que há milhares de anos coloca o equilíbrio no centro de sua visão sobre a vida, a escolha não poderia ser mais significativa.
De uma celebração tradicional a uma data fixa
O Dia do Ayurveda é uma iniciativa oficial do Governo da Índia, por meio do Ministério de AYUSH, dedicada a ampliar o conhecimento sobre o Ayurveda e sua contribuição para a saúde e o bem-estar.
Durante anos, a celebração acompanhou o calendário lunar e, por isso, não acontecia sempre no mesmo dia do calendário ocidental.
Em 2025, o Governo da Índia estabeleceu 23 de setembro como a data fixa para a celebração anual.
A partir daí, o Dia do Ayurveda ganhou uma referência comum para diferentes países e passou a integrar uma agenda cada vez mais internacional de divulgação dessa tradição indiana.
Ayurveda: uma forma de olhar para a vida
O Ayurveda é um sistema tradicional de saúde originário da Índia, com uma visão ampla sobre o indivíduo e sua relação com alimentação, rotina, ambiente e estilo de vida.
Um dos conceitos mais conhecidos dessa tradição é o dos doshas: Vata, Pitta e Kapha, categorias utilizadas pelo Ayurveda para compreender diferentes características e tendências do funcionamento do organismo.
Outro conceito interessante para quem vive a rotina contemporânea é o dinacharya, ou rotina diária.
A palavra pode parecer complexa, mas a ideia é bastante simples: estabelecer práticas regulares que acompanhem o ritmo da vida e contribuam para uma rotina mais organizada e equilibrada.
Na tradição ayurvédica, isso pode envolver horários para acordar, dormir, alimentar-se, cuidar do corpo e organizar diferentes momentos do dia.
Essa atenção também se estende às estações do ano, por meio da Ritucharya, a ideia de adaptar determinados hábitos e cuidados às mudanças sazonais.
É uma perspectiva que chama atenção para algo que muitas vezes esquecemos: saúde não se constrói apenas em grandes decisões. Ela também está presente naquilo que fazemos repetidamente, na prevenção e nos hábitos que conseguimos sustentar ao longo do tempo.
O tema de 2026
Neste ano o tema oficial do Dia do Ayurveda é “Ayurveda para um amanhã mais saudável”. A campanha também traz uma visão global: “Uma Só Saúde, Um Só Futuro”.
A ideia amplia a discussão para além da saúde individual e reconhece as conexões entre pessoas, comunidades, animais e meio ambiente.
É uma perspectiva especialmente relevante em um momento em que falar de saúde também significa falar de sustentabilidade, escolhas de consumo, alimentação, prevenção e qualidade de vida.
O Ayurveda, nesse contexto, deixa de ser apenas uma tradição do passado e passa a participar de uma conversa contemporânea: como podemos cuidar melhor de nós mesmos e, ao mesmo tempo, do mundo em que vivemos?
E onde entram os chás?
É aqui que o contexto fica interessante.
O Ayurveda não é a origem de todos os chás, ervas ou botânicos que consumimos. E não precisa ser. A questão passa por entender como podemos aplicar esse conhecimento ao lugar onde vivemos.
O Matcha tem sua própria história no Japão. O Hojicha também pertence à cultura japonesa. A Erva-Mate Verde faz parte da história e da cultura da América do Sul. O Rooibos tem origem na África do Sul.
Cada um desses ingredientes carrega uma tradição, uma geografia e uma forma própria de ser cultivado, preparado e consumido.
Ao mesmo tempo, alguns produtos da 1401 têm uma relação mais direta com a tradição ayurvédica.
É o caso da Organic India, cuja proposta está diretamente conectada ao Ayurveda e à tradição indiana de uso de ervas e especiarias.
E também da Fada Azul, produzida a partir da Clitoria ternatea, conhecida na tradição indiana como Aparajita.
São histórias diferentes, que não precisam ser colocadas no mesmo lugar para fazer parte de uma mesma conversa.
Porque a conexão mais interessante entre o Ayurveda e o universo do chá está justamente na ideia de escolha consciente dentro do nosso dia a dia.
O que bebemos também faz parte da rotina
Pense em um dia comum.
Há quem comece a manhã com Matcha Cerimonial ou Barista ou Erva-Mate Verde. Há quem prefira um Hojicha. Em outros momentos, pode fazer sentido escolher uma bebida sem cafeína, como Rooibos, Blue ou uma das infusões da Organic India.
Não existe uma única bebida certa para todas as pessoas, todos os dias e todos os momentos.
Existe o contexto, a preferência, o horário e aquilo que faz sentido para a nossa rotina.
E esse é um dos conceitos mais interessantes que podemos aplicar do Ayurveda para a vida contemporânea: olhar para o cotidiano com mais atenção e fazer escolhas que sejam possíveis de sustentar ao longo do tempo.
Não se trata de transformar cada escolha em uma regra. Trata-se de perceber que aquilo que fazemos todos os dias também participa da construção da nossa qualidade de vida.
O Ayurveda e o futuro
O tema deste ano, “Ayurveda para um amanhã mais saudável”, nos convida justamente a olhar para essa relação entre presente e futuro.
Um amanhã mais saudável não é construído apenas pelas grandes decisões.
Ele também passa pela maneira como organizamos nossos dias, pela alimentação, pelo descanso, pelo movimento, pelo ambiente em que vivemos e pelas escolhas que conseguimos incorporar de forma consistente.
É nesse ponto que o universo dos chás encontra essa conversa de maneira tão natural.
Na 1401, trabalhamos com ingredientes de diferentes origens, culturas e tradições. Não porque todos pertençam ao Ayurveda.
Mas porque acreditamos que conhecer a origem,
