CARTAS DA CURADORA | POR ROMANNA REMOR

Quando ouvimos a palavra espresso, quase sempre pensamos em café. Mas essa associação esconde uma história curiosa. O espresso não nasceu para definir um ingrediente, nasceu para definir um modo de preparar uma bebida. E talvez essa seja uma das descobertas mais interessantes que fiz nos últimos meses.

No início do século XX, na Itália, surgiram as primeiras máquinas capazes de fazer a água passar sob pressão por uma moagem muito fina de café. O resultado era uma bebida concentrada, intensa, aromática e preparada na hora, especialmente para quem a pedia. Daí vem o nome espresso.

Mais do que “rápido”, o termo carrega a ideia de algo preparado naquele instante, para uma pessoa, sob pressão e com uma extração cuidadosamente controlada. O protagonista não era apenas o café. Era o método.

O que torna um espresso diferente?

Alguns elementos definem essa experiência:
  • moagem extremamente adequada ao método;
  • água sob pressão;
  • tempo curto de extração;
  • bebida concentrada;
  • uma crema natural formada durante o preparo.
Essas características criam uma experiência sensorial completamente diferente de um café coado ou filtrado. É um outro jeito de extrair aromas, sabores e textura.

Confesso uma curiosidade pessoal: Eu não bebo café. Isso faz parte do código de saúde da religião da qual participo e, curiosamente, nunca senti falta dele. Ainda assim, sempre admirei o ritual que existe ao redor de uma boa xícara: o aroma, o encontro, a pausa, a conversa. Também já tive gastrite em alguns momentos da vida, então talvez minha relação com o café fosse diferente de qualquer forma.

Mas conhecer a história do espresso despertou algo inesperado em mim: Se o espresso é, antes de tudo, um método, será que essa lógica poderia ser aplicada a outra planta?

Algumas descobertas começam com uma boa pergunta

Na 1401, costumamos dizer que boas curadorias não nascem apenas de respostas. Elas nascem de perguntas. Foi exatamente essa pergunta que nos levou a estudar outras possibilidades, conhecer produtores, entender diferentes culturas e descobrir experiências que jamais imaginávamos encontrar. E, curiosamente, uma dessas respostas veio de muito longe: da África do Sul.

Mas essa história merece um capítulo próprio. E é justamente ela que teremos a alegria de compartilhar nos próximos dias.

Com carinho,
Romanna Remor